sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Fios que contam, fios que pensam

 Comemorando o Dia de S. Valentim, a estratégia foi a leitura da história «O Fio que Nos Liga».



Nesta Hora do Conto, as crianças são convidadas a compreender que este não é apenas o “dia dos namorados”, nem sequer apenas o “dia dos afetos”. O carinho, o respeito, a amizade e o cuidado não pertencem a uma data do calendário — devem ser vividos todos os dias.

A história recorda-nos que existem fios invisíveis que nos ligam uns aos outros simplesmente porque somos seres humanos. Fios de respeito, de empatia, de responsabilidade e de justiça.

Reconhecer esses fios é também aprender que temos uma obrigação para com o outro: ouvir, cuidar, respeitar e dizer “sim” ao que une e “não” ao que magoa ou exclui.

Assim, esta leitura transforma o Dia de S. Valentim num momento de reflexão sobre o que nos liga enquanto pessoas — não por amor romântico, mas por humanidade partilhada.

















Fios que Contam, Fios que Pensam

 Quando as Histórias Aprendem a Pensar

O desafio, enquanto professora bibliotecária, é fazer da Hora do Conto não apenas um momento para contar uma história e divertir os meninos, mas ser um espaço de encontro, escuta e pensamento. O fio da Hora do Conto entrelaça-se com o fio da Filosofia para Crianças quando a história deixa de ser apenas narrada e passa a ser pensada.

O livro «A História do Não»  e o livro «Por que os animais não conduzem?» ajudam -nos a pensar o mundo de hoje.




No livro «Por que os animais não conduzem?», os animais deste tomam decisões, erram caminhos ou dizem “sim” e “não”, as crianças são chamadas a fazer o mesmo — não na estrada, mas no pensamento. O que é justo? O que é correto? Quem é responsável? Porque é que precisamos de regras? Assim, a história transforma-se num espaço seguro onde cada criança pode questionar, ouvir o outro e construir respostas com respeito, justiça e lealdade. Pensar juntos é, afinal, aprender a viver juntos. Tal como nas estradas deste livro, também no mundo de hoje a sociedade precisa de regras para não se transformar numa selva. As eleições são como encruzilhadas: cada escolha leva-nos por um caminho diferente. O Presidente, tal como um condutor responsável, não conduz sozinho — guia, dá o exemplo e respeita os sinais que protegem todos. Mas nenhuma viagem é segura se os passageiros fecharem os olhos. Cada cidadão tem um papel essencial: saber quando dizer “sim”, com compromisso e lealdade, e quando dizer “não”, com coragem e sentido de justiça. Porque escolher é mais do que votar — é assumir responsabilidade pelo caminho que queremos seguir juntos.


No livro «A História do Não» recorda-nos que aprender a escolher, desde cedo, é aprender a ser cidadão. Através das personagens e das suas escolhas, as crianças são convidadas a observar, questionar e dialogar. O conto torna-se um ponto de partida para pensar o mundo, compreender o outro e refletir sobre valores como justiça, responsabilidade, lealdade e respeito. Mais do que ouvir, as crianças participam: aprendem a dizer “sim” quando algo é justo e “não” quando algo não está certo. Aprendem que pensar também é uma forma de agir. Assim, a Hora do Conto transforma-se num exercício de cidadania, onde imaginar, sentir e pensar caminham juntos. Tal como na narrativa, também a nossa sociedade vive rodeada de escolhas. As eleições são momentos decisivos em que todos somos chamados a responder — não apenas com um voto, mas com consciência. O Presidente, mais do que alguém que decide, é alguém que representa, orienta e protege o bem comum. Tal como numa estrada partilhada, a sua função não é avançar sozinho, mas garantir que o caminho é seguro para todos, respeitando regras, limites e valores. No entanto, nenhuma democracia funciona se os cidadãos ficarem em silêncio. Cada um de nós tem o dever de saber dizer “sim” quando algo é justo, verdadeiro e necessário, e de dizer “não” quando algo ameaça a dignidade, a justiça ou o bem coletivo. Dizer “não” não é recusar por capricho — é um ato de lealdade aos valores que sustentam a vida em comunidade. É escolher com responsabilidade o caminho que queremos seguir juntos.